Brasil 2010: Compreendendo o momento eleitoral

Prezados e prezadas,

Como podem conferir no texto que escrevi em maio de 2006 – “Gestão Pública: definindo o Norte para uma nau sem rumo” – http://www.ffdigital.com.br/?s=nau+sem+rumo – (corria um dos vários grandes escândalos que há séculos povoam a  gestão federal), não acredito no modelo de “democracia” e de gestão pública que temos. Independente do Presidente ou partido que esteja de plantão.

Assim, neste momento eleitoral, em que é delicado emitir opiniões (que facilmente serão confundidas com defesa do partido tal ou ataque ao partido tal), sinto-me no dever  de expor uma reflexão que tenho feito nos últimos dias. Vai por tópicos, para facilitar o raciocínio.

1. É inegável e admirável o sucesso de Lula – um operário que se torna presidente e passa a ser admirado em todo o mundo;

2. É inegável que o Brasil vive um bom momento, graças a vários fatores, sendo um deles a habilidade do Governo Lula em aproveitar o bom momento da economia mundial e de responder prontamente quando a crise chegou;

3. É inegável que a vida de muitos pobres melhorou (tenho muitas restrições em admitir isto, já que os bolsões de miséria continuam enormes, educação e saúde  terríveis e o maior poder de compra se dá por meios muito artificiais – bolsa família e crédito – uma forma crudelíssima de transferir renda do pobre para o rico, via juros escorchantes, escondidos sob prestações “que cabem no bolso”);

4.É inegável que o ambiente está muito bom para os negócios – mercado aquecido, muito serviço para todos (inclusive para mim).

Tudo está muito bom… Se fôssemos aplicar a máxima do futebol, “em time que está ganhando não se mexe”; toca, portanto, votar na candidata da continuidade…; simples assim, não?

Aí é que me pus a pensar: qual é o preço oculto que estamos pagando por tanta “coisa boa”? E me dei conta de que o preço é alto demais. Simplesmente, nosso país foi sorrateiramente sendo apropriado por um uma chusma de ladinos – ratos, ratazanas e camundongos – que atacam as vísceras do Estado brasileiro, sem pudor e sem limite, confortavelmente instalados nas entranhas da máquina estatal. Engordando às nossas custas, rindo da nossa ingenuidade em nos contentar com as migalhas que jogam para nós. Rindo da nossa ingenuidade, a cada desculpa que arranjam, quando a podridão aparece.

Sei que este cenário sempre foi assim, algumas vezes menos e algumas vezes mais intenso. Não é criação exclusiva deste governo (FHC, Collor e outros que o digam). No entanto, pensei: enquanto o modelo não muda, o mais prudente é, pelo menos, volta e meia desalojar os ratos de plantão. Até que outros tomem conta (o que sempre acontecerá, lamentavelmente), há uma trégua na sangria do seu, do meu, do nosso dinheiro. E ganhamos tempo para, quem sabe, por para funcionar a “democracia direta”, usando os recursos da Internet, como se viu na histórica vitória do “Ficha Limpa”.

Marina ou Serra? Ainda não sei. Só sei que, fundamentalmente, não muda muito, mas pelo menos tirará da zona de conforto aqueles que se refestelaram no poder e fazem orgias com o nosso suado dinheiro.

Em tempo:

1. minhas desculpas por entrar num tema tão sensível e tão pessoal. Minha opinião não é contra A ou B ou a favor de C ou D. É, sim, a favor de cada um de nós e de todos aqueles que suam muito para ganhar honestamente algum dinheiro, enquanto outros não suam nada para transferi-lo para o seu bolso. E ainda aprofundam a miséria dos miseráveis;

2. em outro artigo, exponho minha visão da situação, no Estado de Minas Gerais, onde vivo.

Com apreço,

Lúcio Fonseca

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