Cop 15: buscando a saída do beco

A partir da Revolução Industrial, o mundo entrou num ciclo de desenvolvimento vertiginoso, cujos benefícios são inegáveis, mas com efeitos colaterais inimagináveis. Simplesmente, estamos “contratando” a destruição da casa que nos abriga, ao sobrepor o interesse econômico – importante e necessário – aos interesses ambientais e sociais, que são vitais para a sobrevivência e a qualidade de vida.

Afrontando os interesses ambientais, exaurimos os recursos naturais, poluímos os rios, devastamos a biodiversidade e expelimos quantidades exponencialmente crescentes de gases do efeito estufa, provocando artificialmente o aquecimento do planeta e, consequentemente, dramáticas mudanças climáticas. Tal desvario, já não há mais dúvidas, ameaça concretamente a existência da vida – inclusive humana – na Terra. Um triste espetáculo de ignância.

Afrontando os interesses sociais, ao permitir, por exemplo, que alimentos sejam considerados commodities tão especuláveis na Bolsa quanto quaisquer outras, condenamos milhões à escassez ou privação, construindo um ambiente não só desumano, mas potencialmente explosivo. Acreditando que o desenvolvimento é um imperativo inexorável, entramos num beco (quase) sem saída. Alertas têm sido dados aos montes, mas a ignância (mistura da ignorância com a ganância) ainda impede que providências sejam tomadas, no ritmo urgente que se faz necessário, e que se coloque o freio do bom senso na corrida alucinada rumo ao abismo.

Para discutir toda esta problemática e tentar encontrar uma saída do beco em que nos metemos, dirigentes de quase todos os países do mundo (Estados Unidos incluídos – Aleluia!), cientistas e ONGs estão reunidos em Copenhagen. Não vai ser fácil um acordo, pois reverter o paradigma de que “o desenvolvimento não pode parar” é missão árdua. Sem querer ser trágico, lembra-me a cena da orquestra insistindo em tocar enquanto o Titanic afunda…

A par dos paradigmas a serem quebrados, há outras armadilhas, como a de achar que basta trocar energia fóssil por energia renovável e continuar pisando no acelerador. Na verdade, a questão não se restringe a mudar de energia fóssil para energia renovável, mas a uma necessidade mais ampla de rever um modelo de vida essencialmente predatório, de forma a reduzir drasticamente o consumo do supérfluo e a demanda de energia e, assim, diminuir a pressão sobre os recursos naturais e os efeitos danosos ao planeta.

No bojo da discussão de metas de redução de emissões, esta questão deverá surgir. É necessário que surja. Só de estar sendo discutida, já significará um raio de esperança. Mas não nos iludamos: além das ações governamentais, as atitudes individuais vão contar muito (afinal, o problema somos nós). Pense nisso. E comece já: olhando para o seu guarda-roupas (para ver se precisa mesmo de mais aquela calça, camisa, sapato…), deixando o carro mais em casa que rodando, economizando energia elétrica, resistindo aos apelos do consumo pelo consumo (acredite: você tem muito valor, mesmo se não usar a grife XYZ) , dando destinação adequada às baterias e ao lixo em geral, diminuindo o uso de sacos e embalagens plásticas, pedindo às pessoas que, ao invés de te darem presentes no aniversário ou no Natal, façam uma doação para uma causa ambiental ou para quem necessite do básico, etc, etc, etc.
Lúcio Fonseca
Consultoria & Palestras

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