Educação de Qualidade? Guaranésia diz: “Presente”

A bucólica Guaranésia

A Escola Estadual Carvalho Brito

Treinamento de Práticas Inovadoras em Sala de Aula: redescobrindo o prazer de ensinar e… aprender

Guaranésia, município mineiro de aproximadamente 20.000 habitantes, situado a 500 quilômetros de Belo Horizonte, tinha tudo para ser apenas mais uma das bucólicas e aprazíveis cidadezinhas do belíssimo sul de Minas, voltada quase exclusivamente para a produção de tecidos de algodão cru (são 7 fábricas). Mas o ar puro e a calma que ali se respiram escondem uma vocação forte para o desenvolvimento, sem perda da qualidade de vida. É lá que se encontra a Escola Estadual Carvalho Brito, simplesmente a 4a. melhor escola pública do país, segundo avaliação do MEC, através do IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, recentemente divulgado. O IDEB e o destaque das melhores escolas do ranking nacional são dissecados em excelente matéria da Revista Época de junho último.

Elevada à condição de município há apenas pouco mais de 100 anos, Guaranésia poderia ter-se conformado apenas com sua indústria textil, centrada na produção de panos de pratos e sacaria. Mas alguns visionários acharam que era muito pouco. Uma florescente indústria de açucar e álcool foi implantada, sintonizando a cidade com as tendências econômicas mais atuais. Projetos da Prefeitura apontam para ações de médio e longo prazo, associadas a reflorestamento combinado com reciclagem de lixo, que prometem tornar a cidade um pólo regional dos mais vibrantes. E o que é melhor: o senso de prioridades e a visão de futuro das autoridades locais, levaram a cidade a investir fortemente na melhoria da qualidade da educação, compreendendo seu papel estratégico no desenvolvimento do município.
Na busca do melhor para a cidade, o Secretário de Educação, o professor de Matemática Antônio Laudade, encontrou no SGI – Sistema de Gestão Integrado, desenvolvido pela Fundação Pitágoras, a solução ideal para incrementar a gestão do sistema público de ensino, ponto de partida para qualquer processo de melhoria da qualidade da educação.

Integrando ao processo, sem distinção, as escolas municipais e estaduais da cidade e seguindo à risca a metodologia de gestão prescrita pelo SGI, a Secretaria Municipal de Educação estabeleceu primeiramente sua Visão, sua Missão e suas Metas e, em seguida, procedeu ao seu desdobramento para as escolas, estas para suas salas de aulas e, destas, para os alunos. Assim, todas as instâncias do sistema educacional são movidas a metas e todas elas são associadas a um objetivo fundamental: obter altos níveis de aprendizagem dos alunos. O processo, que dura 20 meses, está apenas na metade, mas sua contribuição à qualidade da educação nas escolas sediadas na cidade e na zona rural – sejam do âmbito municipal, seja do estadual – já se faz notar concretamente.

A implantação do SGI, uma ação estruturadora fundamental, não é, entretanto, a única. Por trás, uma postura de convivência pacífica e parceria entre as redes municipal e estadual de educação (coisa, infelizmente, nem sempre comum) e um contínuo investimento na qualificação dos professores, com um Programa de Formação continuada que inclui Novas Tecnologias na Educação e Práticas Inovadoras em Sala de Aula (que tenho o privilégio de poder apoiar). Além disso, a busca da valorização dos professores e o reconhecimento do mérito, através de um Plano de Carreira que está prestes a ser aprovado pela Câmara dos Vereadores.

Todo este apoio não tira, no entanto, um mérito essencial: o dos professores, funcionários e equipe de liderança da Escola Estadual Carvalho Brito. Com uma dedicação acima da média e uma continuidade administrativa nos últimos 3 anos, a equipe faz da da escola “um brinco”, tanto nos aspectos físicos quanto pedagógicos. Resultado: 4a. colocada e uma firme determinação de chegar ao pódio da qualidade nas próximas rodadas.

Uma forte luz que se acende no fim do túnel da educação, em tempos em que fica cada vez mais claro que “A concorrência entre as nações será, em seu estágio final, a competição entre sistemas educacionais, pois os países mais produtivos e mais ricos serão aqueles com a melhor educação e treinamento.” (Richard Rosecrance – Diretor do Centro de Relações Internacionais da Univ. da Califórnia)

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