Escola e empresas: aprendendo uns com os outros

Competição, dificuldade de captação de novos alunos, evasão, inadimplência: democraticamente, a escola (em especial a particular) compartilha com as empresas problemas muito similares. Ao contrário destas, que vêm buscando incessantemente formas novas de abordar estes antigos problemas, a escola vem repetindo, insistentemente, velhas fórmulas – fazer mais publicidade e “apertar a cobrança” são algumas delas, com pouca ou nenhuma eficácia mais.

Nos aspectos ligados ao “relacionamento com os clientes”, as escolas se atêm às aulas, para os alunos, e às surradas “reuniões de pais” , a que “só comparecem mães”, como dizia o cronista, e nas quais “os que precisavam” nunca aparecem. “Solução”? Queixar-se e… fazer mais reuniões!!

Com o advento das “Universidades Corporativas”, as empresas dão uma demonstração de humildade e inteligência, absorvendo das escolas seu “know how” na área de educação e treinamento. Por que não fazer a Escola o mesmo, absorvendo das empresas seu “know how” de gestão e solução de problemas? Por que não aprender com elas como relacionar-se mais efetivamente com seus clientes, numa relação personalizada e de mútuo respeito? Por que não aprender com elas como estruturar um ambiente tecnológico que facilite o fluxo das informações e um conhecimento mais profundo dos clientes atuais e potenciais, internos e externos, para poder oferecer a eles produtos e serviços “sob medida”?

Para encontrarmos soluções para os nossos problemas e respostas para os nossos desafios, nada melhor que desviar nosso olhar para áreas diferentes da nossa. Quais são, por exemplo, as cinco coisas que mais querem os clientes? Ao invés dos manuais pedagógicos, consultemos “um compêndio de Marketing” (que recomendo vivamente): Como serão as coisas no futuro – Richard Oliver. Diz lá:

Velocidade
Qualidade
Variedade
Assistência
Preço (justo)

Não será o mesmo que nossos pais e alunos querem? Ou será que um pai gosta de esperar duas horas sentado na ante-sala do Diretor, para ser atendido? Ou ficar pendurado 15 minutos no telefone, ouvindo aquela fantástica mensagem: “Aguarde um pouco. Sua ligação é muito importante. Nossa escola é a melhor do mundo…”

Será que nossos alunos gostam da repetição monocórdia, da ausência de novidades, da rotina pétrea dos horários escolares?

Será que alguém gosta de ser passado para outro, para outro e para outro, quando precisa tratar de algum problema?

Será ainda que alguém aceita pagar um preço injusto, ou seja, maior do que o benefício recebido?

E a qualidade? “Qualidade é adequação ao uso”. Será que o modelo educacional que estamos praticando é “adequado ao uso da Sociedade do Conhecimento” ?

Gestão, Inovação e Tecnologia: o que aumenta a competitividade da Empresa pode servir também para a Escola. Se começarmos a fazer as perguntas certas, muito provavelmente encontraremos as respostas de que necessitamos.

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