Estruturando tecnologicamente a escola – 1a. parte

Tirar uma escola do mundo analógico e inseri-la no mundo digital requer um investimento financeiro que pode ir do razoável ao muito grande, dependendo das aspirações e do projeto (ou falta dele). Se dinheiro é uma condição necessária, nem de longe é suficiente, no entanto.

Há um longo caminho a ser percorrido antes até de se colocar a mão no bolso. Neste e nos próximos artigos, pretendemos dar um dos caminhos possíveis para sintonizar a escola com a sociedade de base tecnológica em que vivemos.

PASSO 1: Querer é poder!

Se uma escola ainda está no mundo da gaveta cheia de pré-datados, das montanhas de fichas em papel, das aulas na metodologia CG (Cuspe e Giz) e ainda se sente muito bem assim, a tarefa não vai ser fácil. Mas também não é impossível. Tudo pode começar com a busca da resposta a uma pergunta: “Por quê e para quê temos que estruturar tecnologicamente a escola?”

Durante milênios, a sociedade foi apenas oral. As crenças, tradições e saberes – imutáveis e em quantidade limitada – eram passados pelos mais velhos aos mais novos em longas e repetitivas sessões de “contação” de histórias, muitas vezes em torno da fogueira (tirando a fogueira, talvez a semelhança com a aula expositiva não seja mera coincidência).

Um dia, inventou-se a escrita e com ela, de certa forma, a cronologia – uma coisa, depois a outra (o que, na escola, se refletiu, de certa forma, na estruturação curricular baseada em pré-requisitos – só se pode aprender determinada coisa depois que se aprender outra; por isso, meu caro aluno da 5a. série, guarde esta pergunta para fazê-la quando estiver na 7a.). Naqueles tempos, a quantidade de informações produzidas pela humanidade, embora bem maior, ainda era administrável, pois o ritmo de surgimento de novas informações era razoavelmente lento (por isso, os livros não precisavam ser descartáveis, e podiam passar de irmão para irmão, quando não de pai para filho).

Mas, de repente, e não menos que de repente, o surgimento da televisão, a revolução das comunicações, o acesso democratizado ao extraordinário poder de processamento de dados dos computadores e, principalmente, sua interligação numa até então inimaginável “teia mundial” provocaram o que se poderia chamar de “big bang informacional”. Uma fantástica explosão que liberou dos seus limitados (e controláveis) depósitos a informação. Um universo informacional em contínua e vertiginosa expansão se libertou da Caixa de Pandora, para desconsolo e – em muitos casos – desespero de muitos monges e copistas, medievais e contemporâneos.

Para desbravar e sobreviver neste admirável e digital mundo novo, os instrumentos, as competências e as regras que vigiam até então perderam repentinamente a validade. Carros de boi, Fords Bigodes, telegramas, telex, enciclopédias e arquivos em papel… obrigado pelo bem que me fizeram, mas agora preciso de informação on line sobre a inadimplência, a evasão e o desempenho acadêmico; de “search engines” e robôs digitais que encontrem, num piscar de olhos, a informação de que preciso, armazenada em algum rincão perdido deste universo cibernético. O tempo urge: não posso mais esperar dias pela resposta à carta que postei no correio; preciso de imediato retorno eletrônico. A quantidade de informações que tenho de manusear é cada vez maior: preciso de sistemas informatizados. O tempo é cada vez mais curto; não posso me dar ao luxo de reinventar a roda; preciso guardar organizadamente, gerir e compartilhar meu conhecimento organizacional, de forma a poder recorrer a ele, em situações repetitivas, para fazer igual ou, melhor ainda, para apenas melhorar o que já foi feito. Mas como encontrar informações naquele entupido e mofado arquivo morto? E o gasto com papel, meu Deus? E o tempo perdido tentando achar uma informação? É… não tem jeito… preciso estruturar tecnologicamente minha escola.

E então fez-se a luz… Bem vindo, irmão, ao novo mundo. Você já quer, então você já pode. Você está pronto para os próximos passos. Nos próximos capítulos.

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Até a próxima!

Lúcio Fonseca

Fonte da imagem sb10067382c-001 Digital Vision (Royalty-free) – www.gettyimages.com.br

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