Gestão de cidades: a bomba relógio chamada automóvel – I


(Foto ao lado: Bangkok – mas não lembra cidades brasileiras?)

SP: congestionamento chega ao recorde de 163 Km (Agência Estado – S.Paulo – 02/04/01)

Se esta manchete assusta, raciocine: de lá para cá, mais 1.200.000 automóveis (aproximadamente) estão circulando nas ruas de S. Paulo.

Centenas de novos automóveis entram em circulação todos os dias nas ruas das cidades – somente em São Paulo, megalópole já sufocada, são entre 1.000 e 1200 – gerando engarrafamentos monstruosos, atropelamentos, batidas, stress, poluição, doenças e milhares de mortos anualmente. Faça as contas para um mês; para um ano; para 5 anos; pense em São Paulo dentro de 10 anos. Em Belo Horizonte, são aproximadamente 250 novos carros por dia. Faça as mesmas contas. E na sua cidade? A bomba relógio está armada.

Paradigmas são “prisões mentais”: por se viver todo o tempo dentro de um determinado modelo, acredita-se que aquele é o ideal, ou o único viável ou possível. Acostuma-se. O automóvel, como meio ideal de transporte (e, por isto, sonho de consumo de qualquer cidadão) é um destes paradigmas que está, de há muito, a merecer uma análise crítica. Aqui vai uma reflexão sintética sobre o assunto.

O automóvel foi uma excepcional solução inventada para permitir o deslocamento rápido e confortável por distâncias cada vez maiores. Mas, com o passar do tempo e o crescimento geométrico da população, veio o paradoxo: pessoas compram automóveis para andar mais rápido… e andam cada vez mais devagar. O tamanho das cidades é finito e a produção de automóveis, infinita. Um automóvel médio ocupa aproximadamente 6m2 (ou quase 10 m2, quando se pensa nos “utilitários”), para carregar, quase sempre, uma única pessoa. A solução se torna, a cada dia, um problema maior.
Os automóveis não são os únicos “vilões”: ônibus e caminhões ajudam a entupir de fumaça negra os pulmões e a atravancar o ir e vir do cidadão comum. O CO2, gerado pelos combustíveis fósseis, é responsável por cerca de 64% do efeito estufa. Danos à natureza, ao equilíbrio ecológico e à saúde do cidadão, com enorme prejuízo econômico pelas faltas ao trabalho e os gastos com hospitais e remédios.

Conclusão: dois paradigmas de há muito não são mais válidos: transporte individual e combustíveis fósseis. Mas há solução. Por se tratar de mudança de cultura e mentalidade, não há de ser implementada de uma vez, mas por estágios. Algumas sugestões nos próximos posts.

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