Gestão de cidades: desarmando a bomba relógio chamada automóvel – III



(Recomendável ler antes os “capítulos I e II” desta série)

3o. estágio – Desapertem o cinto: o automóvel sumiu!

As medidas sugeridas anteriormente ajudam, mas não vão à raiz do problema. Aumentar a frota de ônibus, por exemplo, significa aumentar os níveis de poluição ambiental e simplesmente substituir o espaço físico atualmente ocupado por automóveis pelos ônibus.

Para ir ao cerne, é preciso responder à seguinte pergunta: Precisamos de veículos automotores tridimensionais ou apenas de sermos transportados de um lugar para outro, do modo mais simples, menos agressivo e menos poluente possível? Na busca das respostas, vamos encontrar soluções que vão das mais banais ao mais alto “delírio tecnológico”. As mais simples: estimular as pessoas a fazerem percursos menores a pé (saudável e barato); estimular o uso de bicicletas, patinetes, etc.

Mas nem tudo se resolverá assim. Grandes contingentes de pessoas precisam ir de um ponto a outro, com rapidez. A tecnologia pode ajudar muito na solução de um problema que ela mesma criou. E se, ao invés de ser suporte para carros, muitas ruas fossem grandes esteiras rolantes, como as dos grandes aeroportos, conduzindo diretamente as pessoas, com cadeiras e cobertura contra sol e chuva? Tais ruas/esteiras poderiam ser movidas por energia solar (com placas coletoras sobre a cobertura) ou por bio-combustíveis; ruas íngremes teriam escadas rolantes ou teleféricos, com cadeirinhas.

A fabricação destas esteiras e teleféricos passaria a ser o novo produto das atuais montadoras de automóveis, que, embora diminuíssem em muito a produção de veículos (usados apenas para passeios de fim de semana e viagens), não teriam razões para demitir seus funcionários. Concessionários de transportes coletivos passariam a explorar este novo meio, abandonando os ônibus. O transporte através destes novos meios poderia custar pouco mais que nada para a população, pois seria subsidiada pelo governo, usando toda a economia feita em obras e no fantástico decréscimo de gastos com doenças respiratórias, nos hospitais públicos.
Loucura? Alucinação? Alguém disse um dia: “Para que precisamos de automóveis, se temos cavalos?” Projetar-se no tempo. Pré-ver. Ter coragem para perguntar por que é assim e se é preciso continuar a ser assim.

Com ousadia, podemos construir soluções que, de fato, devolvam a cidade ao cidadão, garantindo seu direito de ir e vir, com paz e saúde, usando da cidade apenas o espaço que seu próprio corpo ocupa. Que cidade é melhor? Compare as fotos. A da direita é de uma rua real em Hong Kong. As da esquerda são também de ruas reais…

Cidades como Nova York e Hong Kong já não estão só discutindo. Estão agindo. Veja alguns resultados interessantes em http://www.activelivingresources.org/ e www.td.gov.hk/transport_in_hong_kong/pedestrianisation/pedestrianisation/index.htm
Desapertem os cintos: o automóvel sumiu!

Sem comentários
Comente