Gestão planetária: um filme, uma preocupação, uma disposição

Dia desses, fui ao cinema. E voltei muito preocupado e disposto a fazer algo. Começo por este texto.

Assisti a “Uma verdade inconveniente” (An inconvenient truth), uma extraordinária contribuição de Al Gore – o quase Presidente dos Estados Unidos – à compreensão do que é o aquecimento global e as dramáticas conseqüências que já estão em curso, bem como as piores que podem vir.

Embora tratando de um tema tão incômodo, o tom do filme é leve – Al Gore se revela um palestrante de humor refinado e capacidade de magnetizar as platéias.

Começa mostrando a beleza e fragilidade de nosso planeta e vai-nos conduzindo, gradativamente, à percepção dos absurdos que temos cometido contra ele. O filme é apoiado por recursos tecnológicos avançados, o que, somado ao didatismo do apresentador, nos leva facilmente ao entendimento de que, inadvertidamente, disparamos um poderoso processo de auto-destruição. Se não for imediatamente interrompido, pode levar esta e, especialmente, as próximas gerações, a cenários catastróficos. Mas apesar disto, nos deixa uma mensagem de esperanca: a de que, embora nos percebamos pequenos, temos, cada um de nós, cidadãos deste planeta fantástico, o poder de reverter o processo, de forma muito pragmática. Com ações individuais e com uma postura de cobrança daqueles que podem e devem praticar uma “gestão planetária” mais racional.

Saí do cinema com alguns sentimentos desencontrados:

  • saudade – do tempo em que rios e cachoeiras eram profundos, limpos e “nadáveis”, em que as ruas pertenciam mais aos pedestres que aos automóveis, em que o ar era saudável, em que Belo Horizonte era uma cidade de clima ameno, que atraia pessoas com problemas respiratórios, em que “as neves do Kilimandjaro” , hoje em extinção, eram a utopia exótica de um possível futuro turista;
  • piedade – vontade de abraçar e proteger esta criatura tão fragilmente fantástica, grão de poeira no universo, judiada, pisoteada, enfumaçada e explodida todos os dias;
  • perplexidade – diante das catástrofes que já provocamos, com nossa ignorância e nosso egoísmo, nossos monstrengos enfeitados auto-móveis que, para carregar uma única pessoa de 70 kg (e sua “inpesável” vaidade) precisam queimar quantidades estúpidas de energia poluente;
  • vontade – de contribuir para a conscientização, de não me entregar, de morrer lutando.

    Há algum tempo, escrevi a trilogia “A bomba-relógio chamada automóvel”, publicada e ainda disponível neste espaco. Era uma primeira contribuicao. Recomendo a leitura. Ai vão outras:
    a) o site www.climatecrisis.net é totalmente dedicado ao tema do filme e contém o trailer e informações importantes, inclusive sobre como cada um de nós pode ajudar no desaquecimento;
    b) como o site é em Inglês, pretendo traduzir e publicar trechos neste espaco, nos próximos dias;
    c) vou ainda pesquisar e disponibilizar resumos e fontes de outras informações sobre o tema;
    d) e, especialmente, pretendo me tornar um consumidor ainda mais comedido de energia – elétrica e combustível – e de elementos agressivos ao ambiente.

    Imagino que todo cidadão pode e deve contribuir, adaptando seus hábitos, buscando mais a essência que a aparência. Se for educador, garantindo que todos os seus alunos assistam ao filme e desenvolvam projetos voltados para a sustentabilidade. E um vasto et cetera.

    Caminhemos juntos.

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