Minas Gerais 2010: compreendendo o momento eleitoral

Prezados e Prezadas,

Dando sequência à reflexão que fiz,  em texto anterior, vai aí minha leitura da questão eleitoral em Minas Gerais, Estado onde vivo.

Para os muitos amigos e amigas dos outros estados, pode servir como parâmetro para avaliação de sua realidade. Mais uma vez, vão minhas desculpas por tratar publicamente de um tema de foro íntimo: voto.  A idéia é contribuir, apresentando uma visão sistêmica e supra-partidária.

Diferentemente do plano nacional – onde não consigo perceber claramente a existência de um projeto articulado para o país (somente políticas e ações esparsas, algumas muito boas, outras nem tanto), Minas Gerais é “governado” por um Planejamento Estratégico extremamente consistente. Tomei conhecimento disto e tive a certeza de que era algo robusto nos múltiplos contatos que tive e tenho a oportunidade de ter com órgãos e autoridades governamentais do Estado, por força do meu trabalho de Consultoria em Gestão Estratégica e Desenvolvimento Organizacional e por participar, voluntária ou profissionalmente, de diversas entidades, como a Amcham (durante alguns anos) e a Sucesu (desde 1997).

Há três anos, por exemplo, como representante da Sucesu-MG (uma entidade privada e apolítica – www.sucesumg.org.br ), envolvi-me e tornei-me um dos coordenadores do Programa de Capacitação em Gestão da Competitividade, direcionado a qualificar diretores de empresas de tecnologia sediadas em nosso Estado (dentro do Projeto Estruturador do APL de Software). Esta é UMA das CINCO ações previstas em UM dos 51 projetos estruturadores e das 11 áreas de resultado definidas para o Estado, no Planejamento Estratégico 2007-2023. Esta ação – em pleno e exitoso andamento –  é de responsabilidade da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – SECTES –  e a Sucesu, como representante do Setor de Informática,   foi escolhida como operadora do Programa, que tem metas muito bem definidas.

No contato estreito com o Secretário de Ciência e Tecnologia, com o Coordenador do Projeto do APL de Software e equipe da SECTES – responsáveis por esta ação- uma coisa fica patente: o pessoal “pula miúdo” para atingir  as metas estabelecidas. Se não o fizerem, além de terem que se explicar, “adeus bônus” ou até mesmo “adeus cargo”. Todas as Secretarias rezam pela mesma cartilha: as metas do Planejamento Estratégico. Com isto, os esforços feitos e os recursos dispendidos por todos os órgãos públicos e colaboradores são direcionados, monitorados e avaliados sistematicamente, como ocorre em qualquer boa empresa.

Para que tenham uma idéia, vai abaixo o quadro de Áreas de Resultado do Planejamento Estratégico do Estado (com destaque para a área onde está o projeto a que me referi):

Para os que se interessarem, a íntegra do Planejamento Estratégico do Estado – denominado Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado – está em

http://www.almg.gov.br/eventos/pmdi/pmdi.pdf

Tomar conhecimento deste documento e, especialmente, do fato de ser ele um instrumento real e efetivo de gestão do Estado, deixou-me muito esperançoso. Afinal, como escrevi no artigo que já citei no e-mail anterior, penso que uma gestão centrada em pessoas não tem nenhum futuro, mas sim uma gestão baseada em planejamento, em metas. O “eleito”, para mim,  deveria ser eleito para ser o GESTOR de um Planejamento Estratégico, construído com a contribuição dos mais legítimos representantes da sociedade.

Sabendo que Minas vem-se beneficiando altamente pelo cumprimento do que foi consensado na elaboração do Planejamento Estratégico e que vivemos um tempo de gestão profissionalizada, com objetivos, metas e remuneração por resultados – a meritocracia tão necessária –  preocupa-me a hipótese de entrada, neste momento, de um grupo com visão diferente – sem entrar no mérito pessoal de A ou B. Podemos voltar a uma época de voluntarismos e políticas erráticas ou de apelo mais popular e imediatista, que, ainda que possam ser bem intencionadas, nem de longe têm o poder transformador de uma gestão calcada em metodologias gerenciais de eficácia comprovada.

Como o candidato da oposição – com toda a certeza – não se sentirá comprometido com o Planejamento feito pelo “outro lado”, não acho de bom alvitre, neste caso, arriscar uma mudança. “Começar de novo” é uma bela música do Ivan Lins, mas, definitivamente,  não é o mais adequado para o momento que nosso Estado vive.

Assim, entendo que, em Minas, a opção deve ser pela continuidade. Não simplesmente por ser a “Gestão Aécio” ou “Gestão Anastasia” (mesmo sendo este o mentor intelectual do Planejamento Estratégico do Estado). A opção é pela continuidade de uma gestão profissionalizada e, especialmente, pela continuidade da execução do competente Planejamento Estratégico elaborado e em plena execução. Cabe a cada mineiro conhecê-lo bem e ficar sempre firme na vigilância do seu cumprimento.

Com apreço,

Lúcio Fonseca

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