O PARLAMENTO BRASILEIRO: UM CASO DE EXECRAÇÃO PÚBLICA?

EXECRAR:  Detestar, abominar, amaldiçoar;

EXECRAÇÃO: aversão, horror ou ódio ilimitado;
perda da qualidade ou condição de ungido.

(Fonte: Dicionário Aurélio)

Ungido pelo voto popular como representante e defensor dos interesses do povo, o Parlamento passa a legislar exclusivamente em causa própria. A criatura se volta contra o criador, passando a extorquir-lhe os recursos e minar-lhe a energia econômica, assaltando o caixa com falcatruas mirabolantes, vendendo-se por pouco ou muito dinheiro e, não satisfeito, aumentando ao bel prazer os próprios salários, no apagar das luzes da legislatura, em poucos minutos. Sem consultar ninguém, com uma desfaçatez que assusta, humilha e revolta.

Como, assim, nunca sobra o dinheiro necessário para a Saúde, a Educação e outros serviços de interesse público, tome mais carga tributária, mais tempo do povo trabalhando só para tapar o buraco consciente, acintosa e criminosamente cavado e continuamente aumentado.

Onde é que um funcionário (ainda que público) tem a prerrogativa de estabelecer o salário que vai ganhar? Em que organização? Em que planeta?

Quem determinou que um Deputado Tiririca (ou não) vale tanto quanto um Juiz do Supremo, que, para chegar ao posto, teve que estudar diuturnamente, passar por inúmeros concursos e se destacar da multidão por méritos intelectuais incontestáveis? No meio parlamentar, há, ao lado de alguns cidadãos íntegros e competentes, muitos semi-analfabetos, semi-delinquentes e delinqüentes, que só não vão para a cadeia porque se auto-atribuíram imunidade parlamentar. Ou pelo “poder de compra”. Equipará-los a juízes do STF? Brincadeira ou cretinice.

Num condomínio qualquer, o síndico ou seus auxiliares jamais teriam o direito de arbitrar os próprios proventos. Somente a Assembléia Geral – a instância máxima de poder –  tem a prerrogativa de fazê-lo. Mas, no Condomínio chamado Brasil, os “síndicos” deram um golpe de estado e assumiram o máximo poder. À Assembléia Geral, o povo, cabe apenas e idiotamente pagar a conta.

Como membro desta Assembléia Geral, quero que conste em ata que voto contra e que não reconheço mais estes senhores como meus legítimos representantes. E que declaro formalmente que detesto, abomino e amaldiçôo todos os que aprovaram (ilegitimamente) esta aberração. Declaro também minha aversão, horror e ódio ilimitado. Condeno, portanto, estes assaltantes de recursos públicos à perda da qualidade ou condição de ungidos. Em síntese, estão condenados à EXECRAÇÃO PÚBLICA. Para mim, entraram definitivamente na história do país. Pela porta dos fundos.

Não satisfeito, solicito ao Departamento Jurídico  que assessora esta Assembléia Geral (OAB e Ministério Público), que entre com todos os instrumentos disponíveis para embargo desta ilegítima tentativa de apropriar-se de mais uma parte do suor de todos nós.

Ou deixaremos esta tarefa exclusivamente para aquele abnegado punhado de estudantes que teve a coragem de subir a rampa do Planalto e protestar, aos gritos de “Não sou otário, tirando do meu bolso para pagar o seu salário” e “Você aí parado também foi roubado”?

2 Comentários
2 Comentários
  1. Você disse exatamente o que eu penso. Achei que só eu tivesse ficado embasbacada com essa situação!

    • Paula,
      Grato por seu contato e reforço..
      O pior é que as coisas só vêm piorando. Cada vez mais nossos representantes só representam a si mesmos…
      Abraços.
      Lúcio

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