Pensando em ti, TI, na Era Smart

Lúcio Fonseca*

(Versão sintética publicada na revista Sucesu Minas de dezembro/2012)

Não sei se alguém já a batizou assim – se nos registros do onisciente Google não encontrei, acho que podemos assumir que não. Posso, então, batizá-la eu (que o reconheçam os historiadores): vivemos definitivamente – enquanto durar – na Era SMART.

SMART são as TVs, que, além de fazer o que delas sempre se esperou – incluindo entregar a novela nossa de cada dia – são hoje centrais interativas, pontos de acesso à Internet e às redes sociais, shoppings virtuais, consoles de games e um vasto etc,  conectadas por wi-fi, bluetooth, HDMI e coisas que tais.

SMART são os telefones celulares, que, sem se esquecerem de fazer e receber ligações – quando não tem “boi na linha”- orientam-nos na vida (através do GPS), permitem que instalemos aplicativos mil (“que vão mudar definitivamente nosso jeito de ser e estar neste planeta”), que tiremos e postemos, para que nossos amigos curtam conosco e nossos inimigos morram de inveja, fotos daquele prato superhiperultra chique que pedimos no restaurante – tudo isto tão rapidamente que só em 47,6% (ou seriam 78,9%?) das vezes o prato esfria, antes de o upload se completar.

Tais e tão profundas mudanças as Tecnologias da Informação ( e Comunicação) trouxeram para os equipamentos eletrônicos, transformando todos em SMART, que me pergunto: seria possível agregar algumas dessas características à gestão das empresas e instituições educacionais, de forma a torná-las SMART organizations?

Tomemos, para iniciar este exercício mental, as características que definem um Smartphone (segundo a Wikipedia portuguesa):

“…um telemóvel com funcionalidades avançadas que podem ser estendidas por meio de programas executados por seu sistema operacional. Os sistemas operacionais dos smartphones permitem que desenvolvedores criem milhares de programas adicionais, com diversas utilidades, agregados em sites como o Google Play. Geralmente um smartphone possui características mínimas de hardware e software, sendo as principais a capacidade de conexão com redes de dados para acesso à internet, a capacidade de sincronização dos dados do organizador com um computador pessoal, e uma agenda de contatos que pode utilizar toda a memória disponível do celular…

 (…) A integração das funções no dispositivo também é de grande importância. Alguns aplicativos podem utilizar o GPS, o tocador (player) de música e a conexão de dados simultaneamente (…). Com esses recursos, durante um treinamento de corrida ou caminhada, o usuário pode acompanhar sua velocidade, a distância percorrida e o tempo de duração, além de ouvir música. Também é possível exportar os dados para o Google Earth, ver o trajeto no mapa e verificar quais músicas foram ouvidas no percurso.

Algumas organizações já incorporaram algumas destas características, mas, muitas vezes, sem explorar o potencial que sua integração pode gerar. Outras, nem sabem ainda que o Muro de Berlim caiu ou o que são e para que podem servir estas tais de redes sociais. Sem pensar muito, vejamos algumas coisas que a mesma  TI (C) embarcada nos minúsculos Smartphones poderia fazer por elas.

  1. Usar VPNs (redes privadas virtuais), recursos de EAD e de colaboração, portais e marketplaces pode fazer com que funcionários e clientes/alunos possam prestar/receber serviços, passando alguns (ou muitos, ou todos os) dias sem ir à organização; ganhos enormes de produtividade e lucratividade; alívio no trânsito; ar mais puro; menos stress…;
  2. Ferramentas – e filosofia – de CRM podem turbinar a “Agenda de Contatos” da organização, agregando inteligência às abordagens: será que aquele aluno que se graduou há 10 anos não estaria precisando de uma “reciclagem posgraduacional”?; ou o pai que é Engenheiro não gostaria de fazer um curso de Redação de Relatórios Técnicos? ou o cliente que comprou (ou está pesquisando) a furadeira, não se sentiria feliz em ser “promovido” a marceneiro (“Se você faz o que faz com uma furadeira, o que não faria com esta completa Mesa de Marceneiro?”);
  3. A Gestão do Conhecimento, apoiada por ferramentas específicas de GED (Gerenciamento Eletrônico de Documentos), ECM (Enterprise Content Management) e outras, organizará e trará à luz uma quantidade enorme de informações esquecidas em gavetas de madeira e aço e nos escaninhos da memória de colaboradores presentes e passados; também permitirá o uso combinado, integrado, destas informações, analisando “trajetos” percorridos pela organização e definindo outros, cada vez mais inteligentes;
  4. Redes sociais internas podem ajudar a construir uma enorme inteligência coletiva, expandindo a “capacidade neuronial” das organizações; clientes/alunos, gestores e colaboradores trocando ideias sobre como melhorar determinado produto/serviço e gerando ideias para novos. (IntraFace pode ser um bom nome para designar uma rede como esta – historiadores, atenção!
  5. Escolas flexíveis (ou Flex Schools – mais uma denominação interessante, não?), podem agregar “APPs” (aplicativos móveis originalmente desenvolvidos para smartphones) curriculares, desenvolvidos até por terceiros,  ao seu “sistema operacional” convencional: alunos podendo adquirir/baixar do School Market Place (mais uma…) cursos adicionais de Gastronomia, Educação Financeira, Empreendedorismo, Astronomia, Produção de Games e outros de seu exclusivo interesse; estes comporiam seu histórico escolar, enriquecendo-o com coisas ligadas ao mundo real e à preparação para o trabalho;
  6. Integrados ao Serviço de Orientação Educacional e à área de produção acadêmica,  as IntraFaces e os sistemas de CRM (Customer Relationship Management) da Escola poderiam coletar sugestões e sugerir cursos de acordo com o perfil dos alunos e pais; além disso, poderiam conectar-se aos sistemas de recrutamento das empresas para sugerir candidatos com perfil adequado para determinadas vagas;
  7. Sistemas simples e baratos de videoconferência pela Internet, acoplados a telões – ou nos smartphones onipresentes entre os alunos/treinandos – podem trazer especialistas de qualquer lugar do mundo para lhes dar aulas ou trocar ideias, com o grau de interatividade desejado;
  8. APPs próprios podem permitir a realização de Olimpíadas Virtuais entre estudantes ou alunos de academias, pela comparação de performance em determinados tipos de atividades – ou simplesmente propiciar um bate-papo com Ronaldinho Gaúcho, na aula de Ed. Física – sucesso garantido, pelo menos entre os torcedores do Atlético Mineiro.

Muitas, infinitas, são as possibilidades que a tecnologia e os conceitos a ela associados nos dão de embarcar inteligência na gestão das organizações, para torná-las mais SMART . Com este fraco chute inicial aqui dado, sei que inúmeras outras serão suscitadas. É por isto que, seja como VP de Educação da SUCESU ou como consultor de gestão ou ainda coordenador de cursos de capacitação de executivos, passo um bom tempo da vida “pensando em ti, TI” (um titulozinho bem smart, não?).

*Lúcio de Andrade Fonseca

Palestrante e Consultor Empresarial e Educacional

VP de Educação da SUCESU MINAS

 

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