QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO SISTEMA EDUCACIONAL

Em poucas décadas, o mundo se transformou por inteiro. Conceitos e verdades se evaporaram, novos conceitos e novas verdades se criam e se recriam a espaços de tempo cada vez mais curtos, movidos pela energia criativa da juventude, pela globalização e o big bang tecnológico.
No entanto, alheia às dramáticas mudanças e à ebulição à sua volta, a Escola continua, em muitos casos, privilegiando a mera acumulação de informações (ou pior, de dados), tarefa inútil para uma sociedade que não é mais industrial.
Inúmeras são as exigências para os atuais e futuros profissionais: alta competência em leitura e escrita, alta competência em resolução de problemas (novos) – em grupo – domínio de várias línguas e do ferramental tecnológico, criatividade e iniciativa, vontade permanente de aprender, ética, responsabilidade social e um vasto ETC.
Tudo sinaliza para a necessidade de o sistema educacional formar não apenas um profissional, mas um ser humano cada vez melhor e mais completo, abrindo extraordinárias oportunidades para aqueles que resolverem enfrentar o desafio.
Em todo o mundo, as organizações buscam freneticamente os TALENTOS. O drama é que há sempre inúmeras vagas em aberto, pois o sistema educacional não tem conseguido produzi-los. Que o digam os pífios resultados do PISA e dos Exames de Ordem. A solução deste dilema se fará, pelo menos, em dois atos.
1. Um estratégico esforço nacional de modernização e qualificação do sistema educacional, para que seja muito mais produtivo que o atual e passe a formar capital humano “de classe mundial”. Educação centrada na aprendizagem e não mais no ensino. Uso intensivo das novas tecnologias e dos melhores mecanismos de gestão – Planejamento Estratégico, Ciclo PDCA e outros instrumentos da Qualidade. Novas estratégias educacionais e reinvenção generalizada dos currículos, com mudanças orientadas pelos interesses e necessidades dos clientes do sistema educacional – a sociedade, o mercado de trabalho e o próprio educando (como cidadão e futuro profissional) – e não pela “genialidade” de alguns.
2. Compreensão, pelo estudante, de que tornar-se capaz, competitivo e empregável implica um processo que só ele pode operar: o de aprender e produzir conhecimento. “Quem não cola não sai da Escola”: um ultrapassado lema com validade vencida. Tornar-se um aprendiz profissionalizado, um gerente de sua própria aprendizagem é o único caminho. Assim como, para os que estão na ativa, o também único caminho é assumir-se como eterno aprendiz, para livrar-se da obsolescência e aproveitar as muitas oportunidades emergentes. Inclusive a de contribuir para a concretização de um mundo sustentável e de uma humanidade em solidária harmonia.
Qualidade e produtividade também no sistema educacional: tarefa urgente, se quisermos criar os Profissionais (com P maiúsculo) que o mercado de trabalho requer e os Cidadãos (com C maiúsculo) de que o mundo tanto necessita.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FONSECA, Lúcio de A. e outros – A Gestão da Escola – Vol. 4 – Cap 3- Qualidade e Produtividade no Sistema Educacional – Artmed Editora S/A – RS, 2004
DRUCKER, P. – Sociedade Pós-Capitalista. S Paulo:Pioneira, 1993
LAWTON, R.L – Creating a costumer-centered culture: leadership in quality, innovation and speed. Winsconsin, USA: ASQC Quality, 1993
Revista VOCÊ S/A – volumes diversos
Textos:
TORO, Bernardo – Códigos da Modernidade
http://coletaneadetextos.blogspot.com/2007/05/cdigos-da-modernidade.html
UNESCO – As Oito Características do Trabalhador do Século XXI in Leonardo o Multimídia – http://www.sapiensapiens.com.br/site/leonardo-o-multimidia-leonardo-davinci

Lúcio Fonseca
lucio@luciofonseca.com.br
Consultor Educacional e Empresarial e palestrante no Brasil e no exterior em temas de Gestão, Educação e Tecnologia aplicada. Desenvolve, entre outras, atividades de consultoria em Planejamento Estratégico para organizações públicas e privadas, no Brasil e em Angola. Durante três décadas foi Diretor de unidades educacionais e executivo de grande empresa educacional, tendo atuado em várias regiões do Brasil, no Iraque e na Colômbia.
Website: www.luciofonseca.com.br

3 Comentários
3 Comentários
  1. Gostei muito da sua linha de raciocinio, compartilho sua opinião e se me autorizar quero usar (este artigo) como material didatico na minha aula de tecnologia para alunos da UFRN.
    Aí criamos um espaço para pensar e refletir na forma de estudar, objetivando o profissional do futuro, missão e visão do aprendiz da atulidade.
    Att Prof. Sérgio Ramiro – UFRN

    • Caro Prof. Sérgio,
      Grato pelo comentário. Sinta-se à vontade para usar o material. Este tem mesmo o objetivo de contribuir para tornar a educação um elemento efetivo de transformação das pessoas e da sociedade. Dê-me notícias depois quanto à receptividade dos alunos. Grande abraço.Lúcio Fonseca

    • Caro Sérgio,
      Penso que já respondi, mas, se não, fique à vontade para trabalhar com o texto, apenas lembrando sempre de citar a fonte,ok?
      Grato pelo comentário.
      Abrs.
      Lúcio

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