SE HIROSHIMA FOSSE AQUI

Recebi de meus amigos de Angola uma apresentação que propicia o que chamo de um daqueles “choques de reflexão”. Mostra a Hiroshima destruída pela bomba e a cidade moderna e pujante que é hoje, apenas 65 anos depois. Em seguida, apresenta  fotos das miseráveis condições das cidades e da situação social brasileiras, conduzindo, por fim, a uma reflexão: “A longo prazo, o que causa maior destruição: a BOMBA ATÔMICA ou os políticos?”

Seguem algumas das fotos.

HIROSHIMA (destruída e 65 anos depois)

Hirosh 1  Hirosh 2

BRASIL (65 anos depois)

Bras 1 Bras 2 Bras 3 Bras 4

É claro que o Brasil não é só isto (temos ilhas de excelência), mas, ainda assim, há que refletir sobre as razões que nos impediram e impedem até hoje de deixar de ser “o país do futuro.” Ser a sétima economia do mundo já não basta.

Minha resposta aos amigos de Angola  procura entender e jogar luz sobre a questão, que não é só brasileira, mas de quase todos os países de terceiro mundo, desiguais e insustentáveis, apesar de extremamente ricos em recursos naturais.

Caros amigos,

Triste, mas verdadeiro. Este é o destino de nações em que os que governam e os mais privilegiados funcionam na lógica da Ecologia rasa (vide http://www.agenda21empresarial.com.br/arquivo/1260207542.7656-arquivo.pdf)  – tudo para mim, só para mim, a qualquer custo. “

Voltadas egoisticamente para um enriquecimento compulsivo e, muitas vezes, desonesto e corrupto, banqueteiam-se `a custa da miséria de seus povos. Aos pobres, ao invés de educação de qualidade e de desenvolvimento das suas competências empreendedoras, somente as migalhas de “programas sociais” (quando existem) que até se justificam num primeiro momento, mas que, ao invés de libertá-los da indignidade, servem mesmo é para perpetuar a situação de desigualdade e privilégios, transformando, pela propaganda, os algozes em benfeitores.

Por falta de visão sistêmica, competência gerencial e mínimos princípios de honra e solidariedade, os maus detentores do poder político e econômico (felizmente há ainda aqueles que são bons, honestos e competentes) constroem estas pocilgas chamadas cidades em que filhos e netos dos pobres irão viver (?) e que irão cercar de violência e miséria suas próprias mansões, construídas em lugares cada vez mais distantes e – só temporariamente –  mais seguros. Além, portanto, de atentar contra a própria segurança e qualidade de vida,  matam, estupidamente, a galinha dos ovos de ouro. Afinal, com tanta miséria e falta de estrutura, como e quem vai sustentar a máquina econômica funcionando?

E pensar que o Brasil, Bolívia, Angola, Mali, Moçambique, Venezuela e tantos outros países, com as riquezas naturais que têm, já podiam ser a Hiroshima de hoje há tanto tempo… Se o fossem, os ricos de hoje seriam ainda mais ricos e os pobres de hoje seres humanos e cidadãos muito mais dignos, com renda, qualidade de vida e nível educacional suficientes para torná-los capazes de assumir as rédeas de sua própria vida e contribuir para o melhoramento contínuo da sociedade.

Não concordo com a reflexão final da apresentação. Colocar a culpa nos políticos (ou empresários) desonestos (ah, se fossem só estes…) é “terceirizar a responsabilidade.” A esperança é que cada um de nós deixe de ser apenas espectador (ou contribuidor para este estado de coisas)  e passe a usar os conhecimentos que adquiriu e a posição privilegiada que tem para, de forma ainda que lenta, mas firme, ajudar a mudar esta situação. Isto se faz de acordo com a máxima: “Pensar globalmente e agir localmente”.

Abraços (ainda) esperançosos.

 

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