SÉRIE: COMPREENDENDO A ORIGEM DAS FRAGILIDADES E MAZELAS MORAIS DA CULTURA BRASILEIRA – I (Por Lúcio Fonseca)

(OBS: nas publicações seguintes desta série, você não precisará ler o texto introdutório; vai direto a0 micro “capítulo” onde há a reprodução do trecho do livro “1808″, que se refere ao ponto que desejo abordar).

De onde vem este nosso “jeito tão especial de ser”, que busca com tanto afinco a estabilidade – e as “delícias” (reais ou não) – de um cargo público, que acha que o que é público não é de ninguém, que aceita tranquilamente que os políticos se locupletem de seus cargos, que acha normal as “autoridades” serem veneradas e terem benesses diversas, que fica doido para arranjar um financiamento público para algum “projeto” e se esmera em arranjar formas de “flexibilizar” a prestação de contas, que se posgradua na arte de sonegar impostos,  que considera normal “molhar a mão” de alguém para conseguir um contrato ou um simples carimbo, que acha mais do que normal que quem vai conseguir um contrato público – ou privado , grande ou pequeno,  cuja assinatura depende de nós, contribua para a “caixinha”, que veja como natural arranjar uma “boquinha” para os parentes e amigos se conseguiu um alto cargo,  que “é de lei” levar vantagem em tudo, etc, etc,…?

A leitura que acabei de fazer do livro “1808”, um competentíssimo  e saborosíssimo trabalho de pesquisa de Laurentino  Gomes sobre Portugal à época, a vinda da família real portuguesa para o Brasil , as circunstâncias históricas que a rodearam e o que ocorreu durante sua permanência no país, desvela completamente o segredo. Recomendo vivamente que não deixem de ler. Explica (mas nem de longe justifica) muitos dos comportamentos que, há séculos, vêm mantendo nossa nação (e outras colonizadas por Portugal) entre as menos desenvolvidas do mundo (não confundir tamanho do PIB com desenvolvimento – econômico, social, educacional, cultural, etc).

 

Publico, em alguns “micro-capítulos” , pequenos trechos que digitalizei do livro, conectando-os, pelos títulos que dou,  aos “desvios” que considero merecerem nossa atenção, na expectativa de que isto nos ajude a nos conhecer melhor (e, assim, buscarmos a superação de nossas deficiências) e também de que a leitura destes poucos trechos estimule as pessoas a consumirem integralmente esta tão importante obra. Fiquei tentado a comentar cada trecho, mas decidi não fazê-lo, para não cansar meus (dois ou três) leitores. O conteúdo fala por si (fico à disposição para trocar idéias com quem quiser).

 

Em tempo:

  1. à Editora: se julgar que a publicação destes trechos fere os direitos autorais, basta comunicar-me, que interromperei imediatamente e deletarei o que foi publicado;
  2. aos meus muitos amigos de Portugal, peço antecipada compreensão; não se trata de “acusar” Portugal – que tanto admiramos e que tanto evoluiu – por nossas mazelas e fragilidades. A história é a história. À época, colonizar , explorar e escravizar eram regras consideradas legítimas do jogo, praticadas por muitos outros colonizadores. A ideia é apenas conhecer o passado, para compreender o presente e construir um futuro melhor para todos;
  3. aos meus amigos de Angola, sugiro também acompanhar esta série, pois muito do que aqui se coloca vale para seu país, que compartilha conosco a mesma herança colonial.

 

CAPÍTULO I:  QUEM ERAM OS NOSSOS COLONIZADORES E AS CONSEQUÊNCIAS DE SUA FILOSOFIA EXTRATIVISTA ( ou  “Por que achamos que todos os nossos problemas acabaram só porque Deus é brasileiro e nos deu o pré-sal – além do ouro, do minério de ferro e todas as outras riquezas que formam nosso berço esplêndido”)

 

Trecho do livro "1808" - Laurentino Gomes - Ed. Planeta

Trecho do livro “1808″ – Laurentino Gomes – Ed. Planeta

Trecho do livro "1808" - Laurentino Gomes - Ed. Planeta

Trecho do livro “1808″ – Laurentino Gomes – Ed. Planeta

 

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