SOBRE PROFESSORES E SEU(S) NOBRE(S) PAPEL(EIS)

Ensinar? Educar? Formar? Incentivar? Inspirar? Qual será o verdadeiro ou quais serão os verdadeiros papéis do Professor?

Através de um grande amigo, colega dos tempos de Faculdade, resgatei o pequeno e contundente texto abaixo, que estudamos quando nos formávamos para professores, na Faculdade de Letras da UFMG, nos longínquos anos 70. Suscitou-me reflexão. Nestes mais de 40 anos pós-formatura fui, por vários anos, Professor em sala de aula, Professor de Professores – como Diretor de escolas –  e, de muito tempo para cá, Consultor – que nada mais é, a meu ver,  que “Professor de gente grande”.

Neste tempo que já vai longo, quantos de meus alunos efetivamente ajudei? Quantos inspirei? Quantos consolei? Quantos orientei? Quantos ensinei a aprender? Em quantos despertei a paixão por ler? Quantos ajudei a pensar mais criticamente? Quantos, pelo menos, ensinei a escrever melhor?

Acho que fiz bastante, mas, com certeza, muito menos do que poderia e deveria. Acho que não estive alerta todo o tempo, como precisaria estar. Que pena que a vida não dá duas safras…

Para Professores (sempre procurarei iniciar esta palavra com maiúscula) mais jovens, com tempo ainda de refazer ou aperfeiçoar o caminho, fica aí a reflexão. Se os inspirar a serem mais significativos e efetivos na construção do futuro de seus alunos e da sociedade (futuro este que passa todos os dias pela nossa sala de aula), terei resgatado, em parte, minha dívida.

EU LECIONEI A TODOS ELES…

N. John White

 Tenho ensinado, no ginásio, por dez anos. Durante esse tempo eu lecionei, entre outros, a um assassino, um evangelista, um ladrão, um pugilista e um imbecil.

 O assassino era um menino que sentava no lugar da frente e me olhava com seus olhos azuis; o evangelista era o mais popular da escola, era líder dos jogos entre os mais velhos; o pugilista ficava parado perto da janela e, de vez em quando, soltava uma gargalhada abafada, que até fazia tremer os gerânios; o ladrão era um coração alegre, diria libertino, sempre com uma canção jocosa em seus lábios; o imbecil, um pequenino animal de olhar macio, dócil, procurando as sombras.

Atualmente, o assassino espera a morte numa penitenciária do Estado; o evangelista está enterrado, há um ano, no cemitério da vila; o pugilista perdeu o olho numa briga; o ladrão, na ponta dos pés, pode ver, da prisão, as janelas do meu quarto; o imbecil, de olhar macio, bate com a cabeça na parede forrada de uma cela, no asilo municipal.

Todos estes, um dia, assentaram-se na minha sala de aula e olharam para mim, gravemente, das suas carteiras escuras e usadas.

Eu devo ter sido de grande ajuda para estes alunos… Eu lhes ensinei a conjugar verbos corretamente e a encontrar o sujeito e o verbo em sentenças simples.

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