Há muitos motivos para ir aos Estados Unidos: compras, entretenimento e gastronomia são apenas algumas delas. No ano passado, depois de passar pelas Montanhas Rochosas e Vancouver, no Canadá, estivemos em San Francisco (bela cidade, belos vinhedos) e Las Vegas (cada cassino um show à parte – nada jogamos, muito aproveitamos).

Minha opção, em 2014, foi por mergulhar numa pequena mostra do que este país hiperbólico (tudo é muito e grandioso) tem a oferecer para quem gosta de cultura(s) e da boa música americana de raiz: blues, jazz, rock e country. Acompanhou-me a Fátima (além de ótima esposa, ótima companheira de viagem, que “topou” acompanhar-me em tudo o que me atraía – tendo-se também encantado por tudo).

O planejamento que fiz – com a inestimável ajuda da Internet – contemplou 4 destinos:

  • Nova York, por seus museus e pelo jazz;
  • Washington, por ser a sede do Smithsonian Institute, mantenedor de alguns dos mais reconhecidos museus dos EUA e do mundo, e também por ser a capital dos Estados Unidos e centro (pelo menos ainda)do poder mundial;
  • Memphis, o berço do Blues e do Rock, cidade-plataforma que lançou B.B. King e um sujeito chamado Elvis Presley, entre muitos outros, para o mundo;
  • Nashville, a capital da música country.

Quando se faz uma viagem tão agradável, dá uma vontade grande de ter junto “um milhão de amigos”: “Fulano adoraria isto”, “Beltrana ia ficar alucinada”…

Fazer este registro é a oportunidade de viajar de novo, agora com todos os amigos e amigas que queiram embarcar junto, seja para conhecer, seja – para aqueles que conhecem o país muito melhor que eu – para re-conhecer. Bem vindas e bem vindos.

PRIMEIRA E ÚLTIMA PARADAS: NOVA YORK

Saímos de S. Paulo direto para Nova York, onde ficamos, de início, por 5 dias inteiros (e dois “pedaços”) e, ao final da viagem, por mais 2 dias inteiros.

Como “abordar” uma cidade gigantesca como esta, cheia de atrações e de “distratores” em cada esquina? Como consultor de gestão, sei que estabelecer metas e manter o foco é fundamental, em qualquer projeto. Neste também. Tínhamos poucos dias para explorar adequadamente esta megalópole. Por já ter estado, em passagens mais curtas, na cidade, sabia que seria impossível “conhecer tudo”. Assim, minha primeira providência foi adquirir o New York City Pass – http://www.citypass.com/newyork – que dá o direito de entrar em 6 entre 8 das maiores atrações da cidade. Com o passe em mãos, assinalei no mapa a localização de cada uma das atrações escolhidas e, por proximidade, começou, de forma organizada, nosso “ataque” à cidade, ou à parte dela que nos dispusemos a conhecer com mais profundidade. No final, todas as metas foram cumpridas – e superadas, pois deu ainda para andar à toa e conhecer várias outras coisas. Comprovamos, assim, que planejar vale a pena, como diz a máxima de Philip Kotler: “Failling to plan is planning to fail.”

  • Primeira atração: EMPIRE STATE.

A ideia era apenas ter uma vista “aérea” da cidade, para ter noção da sua dimensão. Objetivo integralmente cumprido. O passe dá direito a uma subida ao 86o. andar de dia e outra à noite. Duas perspectivas totalmente diferentes – ambas excepcionais – da cidade.

EMPIRE 1Fotos: Lúcio Fonseca

Mas surpreendemo-nos com displays muito interessantes, mostrando o processo de construção e contextualizando-o historicamente. Este, que foi por 4 décadas, o mais alto edifício do mundo – 103 andares – foi finalizado em plena época da Grande Depressão, oferecendo a mais de 3.000 trabalhadores, o emprego que milhões de americanos não tinham. Impressionam a grandiosidade e complexidade do projeto – feito sem a ajuda de computadores, ainda inexistentes – os dados de material gasto, os detalhes da construção e as condições de trabalho dos operários – EPIs? Nem pensar. Naquelas alturas, andando para lá e para cá, sobre as vigas, sem nem uma cordinha para segurar… Duvidam?

EMPIRE 2

Aí se vê que os participantes do BBB não são “tão” heróis assim…

 

Outras fotos e informações em http://pt.wikipedia.org/wiki/Empire_State_Building ou no site oficial: http://www.esbnyc.com/

 

  • Segunda atração: MOMA – Museum of Modern Arts.

Obras de clássicos como Matisse, Picasso e Salvador Dali, o Jardim das Esculturas – um ambiente minimalista e extremamente agradável: já valeria a pena a visita. Mas chamou-me a atenção no MOMA a mostra de algumas das mais importantes obras de Andy Warhol, o artista símbolo da pop art, que consagrou a expressão “15 minutos de fama”. Ver de perto sua Golden Marilyn Monroe e outra de suas obras mais icônicas – 32 Campbell’s Soup Can – teve um gosto especial.

MOMA

Saiba mais em www.moma.org

  •  Terceira atração: MUSEU GUGGENHEIM

Situado na 5a. Avenida, na sofisticada região de Uppertown, o edifício que abriga o Solomon R. Guggenheim Museum é, em si, uma atração, por sua ousada arquitetura, tanto externa quanto interna.

Não demos muita sorte: era época de troca de exposições e várias galerias estavam fechadas. Ainda assim, valeu ver peças de Manet, Gauguin, Kandinsky e outros clássicos, além de mostra especial de arte sul-americana.

GUGENHEIM

Site oficial: http://www.guggenheim.org/

 

  • 4a. atração: AMERICAN NATURAL HISTORY MUSEUM

 

O Museu de História Natural impressiona, não só por sua alentada coleção de fósseis de dinossauros, mas também pelo Rose Center for Earth and Space, a galeria de mamíferos africanos, o planetário com a interessante projeção “Dark Universe”, a enorme coleção de pedras, meteoros e similares, e muito mais.

NATURAL HISTORY MUSEUM
Ao longo de paredes circulares, vários nichos com a reprodução de habitats de animais diversos. A paisagem de fundo faz dar o efeito de um ambiente 3D, parecendo incluir o visitante na cena. Muito real e interessante.

 

  • Quinta atração: MET – METROPOLITAN MUSEUM OF ART

Também na 5a. Avenida, próximo ao Guggenheim. Por sua inacreditável dimensão, riquíssimo e variadíssimo acervo, foi o que mais nos impressionou. Uma semana só para explorá-lo seria ainda pouco. Do pouco que vimos, nas várias horas ali despendidas, destaca-se a galeria egípcia. Além da profusão de peças e partes inteiras de templos e tumbas, percorrer suas várias salas é uma verdadeira aula sobre o antigo Egito, seus mitos e costumes. Para a compreensão de tudo, ajuda demais o áudio-guia, um equipamento com headphone, que vai explicando o conteúdo de cada galeria (em quase todas as atrações, este equipamento está disponível, às vezes até com narração em Português).

Depois visitamos a galeria do Renascimento Europeu, a da Idade Média, a de arte da Oceania, a de grandes pintores – Van Gogh, Delacroix e americanos, entre outros. Deu a hora de fechar, queríamos ficar, mas restou apenas o gosto de “quero mais”.

METROPOLITAN

Site oficial: http://www.metmuseum.org/

  •  6a. atração: CIRCLE LINE CRUISE

Um belo passeio de barco, semi-contornando a ilha de Manhattan. Por fortuita circunstância, pegamos o último horário, o que nos permitiu ver o belíssimo skyline de Nova York de dia, na ida, e de noite, na volta. As imagens falam por si.

CRUISE LINE

  • 7a. atração: OS NEONS DE TIMES SQUARE E BROADWAY

Símbolos marcantes de Nova York, a Times Square e a adjacente Broadway são visitas obrigatórias, ainda que, como era o nosso caso, tenha-se já ido mais de uma vez à cidade. Andar à toa, pegar um café no Starbucks e sentar numa das inúmeras mesinhas na rua, entrar numa brewery e pedir uma Coors Lite ou uma Samuel Adams Lager Beer, ver gente, muuuita gente, de todos os lugares do mundo, entortar o pescoço para ver os arrojados arranha-céus… Qualquer coisa vale, em meio aos gigantescos e estonteantes telões, apresentando de tudo um muito.

Times Square

  • 8a. atração: A LOJA DA APPLE

Bonita? Sim. Exótica? Muito: um cubo de vidro, apenas com o símbolo da maçã, destacando-se do entorno de prédios convencionais. Mas o que mais me chamou a atenção foi a inteligência e capacidade de os americanos criarem templos de consumo, transformando pouco em muito (afinal, quantos produtos diferentes a Apple tem? Muito poucos), conferindo glamour a qualquer espaço que desejem. E, como mariposas, os clientes são atraídos pela luminosidade do prazer de ver e consumir. E ali “morrem” numa fatura pra lá de pesada. Tragi-fantástico.

Ali estivemos, movidos pela curiosidade e pela “necessidade” de comprar um Iphone para Fátima e as filhas. Nossa opção foi pelo de número 5 – atende perfeitamente e é menos caro. Para comprar o 6, recém-lançado, uma fila inacreditável do lado de fora. Ser o primeiro ou um dos primeiros a comprar os lançamentos da Apple tornou-se “ponto de honra” para muitos. Incompreensível… Se comprar um mês depois, faz tanta diferença? Armadilhas da sociedade de consumo, que conhece e bem explora as profundezas – e fraquezas – da alma humana.

APPLE SHOP

  • 9a. atração: SWING 46 JAZZ AND SUPPER CLUB

Jantar num restaurante muito agradável e típico, com jazz ao vivo, era uma de nossas metas. Cumprida com louvor! Situado na rua 46, no coração de Manhattan, este surpreendente restaurante oferece uma atmosfera típica em que uma deliciosa big band embala o jantar e os drinks, tocando os clássicos de Sinatra, Glenn Miller e outros. Na pista de dança, casais muito competentes entram no clima, com passos de Lindi Hop Dance. Uma noite memorável.

SWING JAZZ

 

 

  • 10a. atração: CENTRAL PARK

Outra das metas cumpridas, mas sem muito louvor: é que, depois de tanto andar, sobrou pouca energia para explorar mais amplamente este belíssimo espaço, o pulmão verde de Nova York. Mesmo assim, foi possível vislumbrar sua beleza, especialmente no contraste do lago e do verde com os imponentes edifícios de Manhattan. De quebra, um flagrante dos pequenos animais, “subornados” com comida por humanos não muito conscientes, para fazerem gracinhas. Mas que gracinhas!…

CENTRAL PARK

 

 

  •  11a. atração: MISSA GOSPEL NO HARLEM

Esta era uma de nossas mais importantes metas. Cumprida com “louvores” (afinal, não é uma missa?). Não propriamente por crença religiosa, sou aficionado, desde a juventude, da música negra religiosa americana, desde os Negro Spirituals (a música gospel antiga), até aquela moderna, que tangencia a Soul Music. Foi deste ambiente que surgiram grandes nomes do jazz, do soul, do rock e da world music. Mas o que mais me encanta é a absoluta imersão dos cantores e da comunidade presente aos serviços eclesiásticos: os cânticos de prece e louvor são entoados com a alma e o corpo, que se deixa levar pelo ritmo, em verdadeiro frenesi. Uma alegria genuína e contagiante, uma esfuziante celebração da fé que professam.

Depois de muito pesquisar, nossa escolha foi pela Convent Avenue Baptiste Church, no Harlem. Não poderia ser melhor: nada de multidão de turistas; extrema gentileza dos fiéis que recepcionam os visitantes, dando todas as orientações e solicitando gentilmente que o culto seja respeitado, não se tirando fotos e permanecendo até o final. No dia, além do coral da própria igreja, estava visitando a comunidade um coral masculino de Baltimore. Dois shows extraordinários de musicalidade. As duas horas iniciais do culto passaram rapidamente: o Pastor Jesse Williams, extremamente simpático, de voz calma e inspiradora para os seus fiéis, entremeava sua fala e o culto com a música contagiante do belíssimo coral da igreja, com participação de sua bela esposa, uma oradora fantástica e extraordinária cantora. Na 3a. hora, um pastor visitante, mentor do primeiro, assumiu. Uma retórica e uma capacidade fantástica de mobilizar a audiência, numa verdadeira aula de oratória. Independente do conteúdo, sou admirador dos grandes oradores. Até os 20, 30 minutos iniciais foi bem, mas o tempo passava, o sermão continuava, continuava, coral calado, muita coisa ainda para ver… Saímos, respeitosamente, aos 45 minutos de seu sermão.

MISSA GOSPEL

No site da Igreja há um vídeo do pastor e do coral, bem como alguns arquivos sonoros – http://www.conventchurch.org/

Veja uma bela performance do coral desta igreja em http://www.youtube.com/watch?v=3rB-UOyY8Qw

Por fim, uma matéria sobre o imenso fluxo de turistas a uma das mais procuradas igrejas do Harlem – http://www.youtube.com/watch?v=WpyhI0CsBP8

 

  • 12a. atração: UM MUSICAL NA BROADWAY

Tantas e tão atraentes são as possibilidades que decidir por qual musical assistir na Brodway é tarefa de não pouca complexidade, mas, ao me deparar com o Beautiful – The Carole King Musical, a dúvida acabou.

Felizmente, mais uma escolha muito acertada. Carole King é uma compositora de obra prolífica – mais de 400 músicas gravadas por mais de 1000 cantores, dentre as quais 100 se transformaram em grandes sucessos. Entre os mais conhecidos, Ït’s too late” e “You’ve got a friend” , imortalizado na voz de James Taylor. Mas, além de compositora, a artista é também excelente cantora, de voz marcante e extremamente agradável.

CAROLE KING

O musical retrata a vida de Carole King, desde a adolescência até se transformar em grande estrela. Mas o melhor é que retrata também todo o contexto musical dos anos 50, com as baladas de Neil Sedaka e dos grupos musicais, masculinos e femininos, com suas coreografias deliciosamente previsíveis. Impressionante a semelhança da artista que faz o papel de C. King, tanto no visual quanto na voz. Aliás, todo o cast de atores é constituído de excepcionais cantores também. Uma pena não serem permitidas fotos ou vídeos. Mas vão aí alguns links, para se poder degustar a música extraordinária desta extraordinária artista:

You’ve got a friend (Carole King e James Taylor) http://www.youtube.com/watch?v=w4mNDS5rIRU

It’s too late (Carole King)

http://www.youtube.com/watch?v=3KbmbYVHy-o

Com esta excepcional “cereja do bolo”, assistida na véspera do retorno ao Brasil, fechamos em grande estilo mais uma viagem que vai ficar nas nossas melhores lembranças.

 

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